domingo, 31 de outubro de 2010

me faz esquecer.

amo
calo
quero
chamo
peço
choro
esquecendo estou.
mas como posso esquecer
se não paro de lembrar?
continuo
chorando
pedindo
chamando
querendo
calar
o amor.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

tudo é.

a inutilidade nos cerca.
lindas vidas.
vivos amores.
belos poemas.
pensamentos,
todos eles,
todas elas.
inúteis
como as trágicas mortes.
pobres poetas
inúteis,
como todos nós.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

e a terra gira.

o frio me mata
o sol me esfria
a chuva molha
os meus poemas
a flor me cheira
a grama me faz
pensar na dor
o céu cai
na minha cabeça
o vento sopra
na minha direção
tão forte
verde, como a sombra
de uma árvore.
tanta dor.
tanta dor.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

és um tolo.

te faço de gato
te bato
mas
ainda não te mato.
te cato no mato
te pego no ato.
se faz de coitado
mal-amado
de lado
safado.
dizes que me quer
só me quer como mulher.
dizes que me ama
só me quer na tua...
casa.
embaixo da tua asa.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

à fronteira do nada com lugar nenhum.

vontade de caminhar sem destino
correr sem caminho
até o amanhã chegar.
de manhã, acordo...
pensando em como seria fugir
sem nome nem rosto.
fico, presa à rotina
sem sentido
que sempre me leva
a lugar nenhum.
quando eu me for,
só me faça o favor
de me esquecer.
e continue
como se nada tivesse acontecido.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

contínuo cansaço.

mergulhada nos ácidos de minha própria mente,
aqui estou.
embebedando-me de pensamentos
sem sentido algum,
sentindo os efeitos colaterais da solidão.
provavelmente a ressaca do amanhã não seja comum.
talvez deixe marcas.
talvez um dia eu me lembre
de tentar esquecê-la.
nunca conseguirei.