segunda-feira, 29 de novembro de 2010

esses jovens.

temos tédio
temos vontade de tudo
e ao mesmo tempo
-de nada-
-obrigada-
fazemos tudo
buscando algo
buscando o que não se pode buscar
estamos cansados
queremos descansar
cansar
para sempre.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

não mudarei.

o fuzilo com os olhos
o esfaqueio com as palavras
o enveneno com os pensamentos
não sou flor para cheirar e admirar.
não sou alguém que inspire o bem
e o amor.
somente penso em tudo
tudo me mata.
me mata gevagar
como se você me fuzilasse
e me esfaqueasse
e me envenenasse.
dia após dia.
somente quero tudo.
mas tudo nunca chega.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

suplico.

só peço...
por favor,
não apague este fogo.
é o único que me sobrou.
não tenho mais nada
para chamar de meu.
tudo o que tenho
é este belo
e quente fogo.
só ele me aquece,
só ele permanece
ao meu lado.
não apague este fogo.
não tenho mais nada
para chamar de vida.

sábado, 6 de novembro de 2010

vida de plástico.

é tudo brincadeira,
nada é sério.
quero algo de verdade
que não me olhe de repente
e somente diga adeus
sem uma verdade
como se tudo fosse brincadeira.
tem certeza que nada é sério?
é tudo falso mesmo?
se é assim...
não quero mais brincar.

domingo, 31 de outubro de 2010

me faz esquecer.

amo
calo
quero
chamo
peço
choro
esquecendo estou.
mas como posso esquecer
se não paro de lembrar?
continuo
chorando
pedindo
chamando
querendo
calar
o amor.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

tudo é.

a inutilidade nos cerca.
lindas vidas.
vivos amores.
belos poemas.
pensamentos,
todos eles,
todas elas.
inúteis
como as trágicas mortes.
pobres poetas
inúteis,
como todos nós.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

e a terra gira.

o frio me mata
o sol me esfria
a chuva molha
os meus poemas
a flor me cheira
a grama me faz
pensar na dor
o céu cai
na minha cabeça
o vento sopra
na minha direção
tão forte
verde, como a sombra
de uma árvore.
tanta dor.
tanta dor.